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Trump pediu ajuda da China para reeleição, diz ex-assessor

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ajuda para o seu homólogo chinês, Xi Jinping, para conseguir se reeleger neste ano, revelou o ex-assessor de Segurança Nacional John Bolton. A informação consta no polêmico livro que será lançado por Bolton na próxima semana, mas que alguns jornais norte-americanos - como o The Wall Street Journal e o The New York Times tiveram acesso.

"As conversas de Trump com Xi refletem não só a incoerência da sua política comercial, mas também a confluência, na cabeça do presidente, sobre seus interesses políticos com os interesses dos norte-americanos", escreveu.

Segundo o relato, o mandatário falou para o líder chinês, durante uma reunião do G20 em 2019, que se ele aumentasse as compras dos EUA, isso seria bom para a sua reeleição. "Ele pediu para Xi assegurar a sua vitória", destacou.

Bolton ainda acrescentou que "é difícil" para ele "identificar uma decisão sequer de Trump, durante a minha permanência na Casa Branca, que não tenha sido feita com os cálculos da reeleição".

Outra parte revelada pela mídia norte-americana refere-se ao pedido de impeachment sofrido pelo republicano - e rejeitado no Senado - que deveria ter sido mais amplo, não apenas focando na sua pressão sobre a Ucrânia, mas também em outros episódios que o presidente buscou interferir por razões políticas.

Conforme o NYT divulgou sobre o livro, Trump também tinha o desejo de bloquear investigações criminais "por favores pessoais aos ditadores que ele gosta", citando casos envolvendo grandes empresas chinesas e turcas.

"O quadro mostrava a obstrução da justiça como uma maneira de viver, uma coisa que não podíamos aceitar", escreveu o ex-assessor. Além disso, Bolton mostra histórias de gafes do presidente, como o fato dele não saber que a Grã-Bretanha é uma potência nuclear ou de chegar a pedir se a Finlândia fazia parte da Rússia.

O ex-assessor ainda destacou que Trump ficou "muito mais próximo do se sabe" de retirar o país da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e que os relatórios de Inteligência do governo eram uma "perda de tempo", já que "muito tempo era gasto ouvindo Trump do que o contrário".

Bolton ainda acusou o republicano de gostar de colocar membros de sua equipe uns contra os outros, como no caso de ter informado que o ex-secretário de Estado Rex Tillerson chamou a então embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, de "obscenidade sexista".

O livro vem causando polêmica nos EUA tanto pela acusações contra Bolton, que teria embolsado uma quantia milionária pela obra, como pelas revelações que pode conter. O governo Trump entrou com uma ação na Justiça para tentar bloquear o lançamento do livro.

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